A série The White Queen (2013), produzida pela BBC One em parceria com o canal Starz, é baseada em três livros da escritora Philippa Gregory: The White Queen (sobre Elizabeth Woodville, rainha consorte de Edward IV), The Red Queen (sobre Margaret Beaufort, mãe de Henry VII) e The Kingmaker’sDaughter, (sobre Anne Neville, filha de Richard Neville, conde de Warwick e rainha consorte de Richard III).

The White Queen é de longe a série mais historicamente precisa do canal Starz (que também produziu The White Princess e The Spanish Princess). Mas, por ser baseada em livros que misturam realidade com rumores da época e fantasia, alguns fatos podem confundir aqueles que conheceram e se interessaram pelos períodos York e Tudor através das séries.

Estes artigos especiais abordam os principais momentos de cada um dos dez episódios de The White Queen e esclarece se foram reais, fictícios ou baseados em rumores.

Você pode conferir os artigos sobre cada episódio na lista a seguir:

Episódio 1:  Apaixonada pelo Rei

Episódio 2: O Preço do Poder

Episódio 3: A Tempestade

Episódio 4: A Rainha Má

Episódio 5: A Guerra na Própria Pele

Episódio 6: Amor e Morte

Episódio 7: Veneno e Vinho

Episódio 8: Vida Longa ao Rei

Episódio 9: Os Príncipes na Torre

Episódio 10: A Batalha Final

The White Queen Episódio 8: Vida Longa ao Rei

Edward IV estava disposto a perdoar Henry Tudor e trazê-lo de volta à Inglaterra.

Henry Tudor (Michael Marcus) usando armadura durante a cena do treinamento em batalha no oitavo episódio de The White Queen antes de receber a notícia que ele poderia retornar a Inglaterra
O ator Michael Marcus como Henry Tudor em uma still do oitavo episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Provavelmente ficção

Margaret Beaufort: Adorável. O par perfeito para o gracioso rei Edward.

Elizabeth Woodville: Gracioso?

Margaret Beaufort: Claro! Por permitir que eu filho retorne do exílio.

Elizabeth Woodville: Talvez mostre como o rei está seguro no trono. Parece que seu menino não é mais uma ameaça.

Margaret Beaufort se casou com Lord Stanley com o objetivo de se aproximar da corte de Edward IV e trazer Henry Tudor de volta à Inglaterra, uma tarefa muito difícil.

Passaram-se vários anos, e Henry Tudor já havia completado vinte e cinco anos antes que os esforços de Margaret para apaziguar o rei finalmente começassem a florescer. Aparentemente, Edward IV estava disposto a oferecer perdão para seu filho. Lord Stanley afirmou que Edward se interessou genuinamente em organizar um casamento para Henry com uma de suas filhas, mas não há evidências contemporâneas para isso.

Pelo contrário, Edward IV ofereceu a ao Duque Francis da Bretanha 4.000 arqueiros em troca de Henry e Jasper Tudor nesse mesmo ano. No geral, o consenso prega que Edward nunca esteve realmente disposto a perdoar Henry. É provável que a oferta de perdão para Margaret nada mais era do que uma isca para atrair o jovem para a Inglaterra.

Com a morte de Edward IV e a ascensão de Richard III, todas essas ações sofreram uma reviravolta. Os anos de esforços de Margaret Beaufort para cultivar a amizade do Rei teriam que começar de novo. Depois das frustrações de anos anteriores, se uma possível e genuína oportunidade para ajudar o filho surgisse, Margaret parecia determinada aproveitá-la, fosse qual fosse.

Edward IV adoeceu repentinamente e nomeou Richard Gloucester Lord Protector

Imagem de Elizabeth abraçando o marido deitado no leito de morte.
Elizabeth Woodville (Rebecca Ferguson) se despede de Edward IV (Max Irons) em uma still do oitavo episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Fato

Elizabeth Woodville: Anthony é o verdadeiro guardião. Ele ensinou tudo que Edward sabe.

Edward IV: O nome de Antony o prejudica. Os Rivers são queridos pelo povo, mas não na corte. Confio que Richard fará o que pedi.

Edward IV estava estabelecido no trono há muitos anos e o reino vivia um longo período de paz quando o rei adoeceu repentinamente no final de março de 1483 e faleceu em 9 de abril de 1483 com apenas 40 anos, pouco antes do quadragésimo primeiro aniversário em 28 de abril. A causa da morte de Edward ainda é um mistério, os médicos da época não foram capazes de descobrir que doença abateu o monarca e proporcionar o tratamento adequado.

A causa mais antiga estabelecida para a morte do rei veio de um dos cronistas contemporâneos, Dominic Mancini, que afirmou que Edward IV adoeceu após uma pescaria no rio Tâmisa, em Windsor e nunca se recuperou. Os historiadores presumem que o resfriado evoluiu para pneumonia ou que Edward contraiu febre tifóide. 

Outros cronistas determinam diferentes causas. Philippe de Commines sugeriu um acidente vascular cerebral enquanto O Cronista de Croyland mencionou que “o rei se deitou, nem esgotado pela velhice, nem por ter contraído qualquer tipo conhecido de doença, cuja cura não parece fácil no caso de uma pessoa de posição mais humilde”. Algumas pessoas criaram teorias da conspiração e chegaram a acusar o rei francês, Louis XI, de envenenamento com vinho.

A falta de relatos sobre quaisquer tipos sintomas da doença que Edward sofreu torna impossível diagnosticar a causa da morte. Todavia, é fácil assegurar que não houve tempo de preparar a transição de poder, que era profundamente complicada porque o herdeiro, o Príncipe de Gales, era um menino de 12 anos.

Antes de morrer, um dos últimos atos de Edward IV foi nomear o irmão mais novo Richard, Duque de Gloucester, como único Lorde Protetor do Reino, quem deveria governar e proteger o reino até Edward V atingir a maioridade. A nomeação causou a fúria dos Rivers/Woodvilles, que imaginavam que Anthony Woodville, Conde Rivers, seria o escolhido.

Contudo, Richard Gloucester era um príncipe, criado na realeza, e já havia provado valor no campo de batalha e habilidade de administração, além de ser muito leal a Edward. Richard era amado pelas pessoas do norte e merecidamente popular no reino. O rei fez a escolha óbvia e aparentemente, a melhor possível.

The White Queen retrata a maioria dos eventos relacionados à morte do rei com relativa fidelidade. Na vida real, Edward IV realmente era obeso e sofria de pequenos problemas de saúde relacionados ao sobrepeso, um enorme contraste em relação ao homem atlético e imponente que era no passado (algo que também aconteceu com o neto de Edward IV, Henry VIII).

Diferente da série, Richard Gloucester não chegou a tempo de encontrar o irmão com vida, ele se encontrava no norte e recebeu a notícia da morte de Edward por meio de um mensageiro de Sir William Hastings, melhor amigo e camareiro do rei. Lord Hastinsgs informou sobre a nomeação como Lorde Protetor e pediu que Richard fosse imediatamente para Londres.

Edward IV morreu no Palácio de Westminster e foi enterrado na Capela de São Jorge (St George’s Chapel) em Windsor. 

A rainha Elizabeth e os Woodville tentaram barrar a nomeação de Richard Gloucester como Lorde Protetor e coroar Edward V rapidamente.

Edward olhando para o horizonte na cena do "resgate" do oitavo episódio.
Imagem de Edward V (Sonny Ashbourne Serkis) durante o oitavo episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Fato

Elizabeth Woodville: Traga Edward. As pessoas estão tomando lados e temo o resultado. Richard e os Yorks estarão em volta do meu filho no trono. Serei mandada de volta a Grafton.

Anthony Woodville: Não será. Richard é um homem decente. Ele amava o rei. Jurou fazer o certo para o seu filho.

Elizabeth Woodville: Não confio em nenhum deles. Eu preciso do meu filho rei para me proteger. Quero meu filho aqui agora para ser coroado.

A rainha Elizabeth Woodville e a família Woodville estavam determinadas a ignorar o pedido de Edward IV e permanecer no controle e influência do reino. Em uma reunião com o Conselho, eles decidiram que coroação de Edward V aconteceria em Londres em 4 de maio, assim que o menino chegasse de Ludlow, e vetaram que Richard de Gloucester fosse nomeado Protetor.

Os Woodvilles partiram para Ludlow com 2000 homens e um grande estoque de armas em 24 de abril. O Marquês de Dorset (Thomas Grey, filho mais velho do primeiro casamento da rainha Elizabeth), apreendeu armas e tesouro na Torre de Londres e equipou uma força naval para assegurar o comando do canal. Ordens do Conselho foram emitidas em nome dos Rivers “Avunculus Regis” e de Dorset “Frater regius terminus” e o Duque de Gloucester foi excluído.

Foi um ato extraordinariamente ingênuo da parte deles. Os Woodvilles eram impopulares e possuíam inúmeros inimigos na nobreza, era óbvio que ao menos um deles alertaria Richard Gloucester.

Richard começou a jornada para Londres de com 600 cavaleiros do norte após receber a mensagem de Sir William Hastings alertando sobre a nomeação como Lorde Protetor.  O Duque de Buckingham saiu às pressas de Londres com cerca de 300 homens e se juntou ao Duque Gloucester em Northampton em 29 de abril, onde Gloucester esperava encontrar o sobrinho. Henry Sttaford, 2° Duque de Buckingham era casado com Catherine Woodville e reclamou diversas vezes de ter sido obrigado a se casar com ela quando ambos eram crianças.

Os duques verificaram que os Rivers chegaram naquela mesma manhã com o jovem Edward e se dirigido a Stony Stratford, nos arredores de  Londres, para evitar um encontro entre o menino e o tio. Richard Gloucester escreveu para Edward V pedindo para que eles se encontrassem na estrada para que eles entrassem juntos na cidade de Londres.

Anthony Woodville voltou para Northampton para conversar, dar explicações e jantar com Gloucester e Buckingham, mas um Conselho foi convocado na manhã seguinte, formado por todos os nobres presentes, e foi decidido que o Conde Rivers e os outros conspiradores deveriam ser presos. O Conde Rivers não tinha ideia que corria perigo.

As forças dos Duques de Gloucester e Buckingham somavam 900 homens. As de Anthony Woodville cerca de 2000, mas o conde havia trazido somente uma parte para Northampton, a prisão dele e de Richard Gray (filho mais novo do primeiro casamento da rainha Elizabeth) foi efetuada sem resistência. Não existe nenhum relato que um dos homens que acompanhavam Edward V tenha sido assassinado, tudo parece ter ocorrido de forma pacífica, diferente do que acontece na série.

Richard de Gloucester acreditava que, por ser o Lorde Protetor, era direito dele levar Edward V para Londres. Ele presumiu que Edward ficaria grato pela atitude e encontrou com o sobrinho em Stony Stratford, jurando lealdade ao rei Edward V. Porém, o rei solicitou que Rivers fosse libertado e Richard percebeu que as ações de ambos os lados polarizaram a corte.

Imediatamente depois de saber da notícia sobre o irmão, rainha Elizabeth partiu para o santuário da Abadia de Westminster com o filho Richard, Duque de York, as cinco filhas e o filho Thomas Gray, Marquês de Dorset. A rainha criou uma base de poder rival. Homens armados marcharam pelas ruas.

As tropas de Rivers, agora sem líder, submeteram-se ao Duque de Gloucester, que retomou a jornada na companhia de Edward V. Eles chegaram a Londres em 4 de maio e o jovem Edward passou a morar no Bishop’s Palace, em St. Paul. Em algum momento, o menino foi transferido para os aposentos reais da Torre de Londres.

Richard Gloucester foi morar com sua mãe, Cecily Neville, Duquesa viúva de York, no Castelo de Baynard, próximo ao sobrinho. Quando Anne Neville, Duquesa de Gloucester chegou à cidade em 5 de junho, o duque deixou o castelo de Baynard e se mudou para o Crosby Palace Hall com a esposa.

Logo que chegou a Londres, o Duque de Gloucester foi reconhecido como Protetor do Reino e solicitou formalmente que os Woodvilles e diversas pessoas associadas à família da rainha fossem indiciados por traição. O Conselho recusou o pedido, outro golpe para Richard.

Em 5 de junho, o Lorde Protetor deu ordens detalhadas para a coroação de Edward V,  marcada para o dia 22 do mesmo mês. Ele pediu que cartas de intimação fossem enviadas para quarenta escudeiros que deveriam receber o título de cavaleiros de Bath para a ocasião.

Sem querer, e pesando estar cumprindo o desejo do irmão, Richard Gloucester arquitetou a própria queda. Ele sabia que os Woodville buscariam vingança e não podia permitir que isso acontecesse. Richard traçou um plano pela própria sobrevivência e tentou aumentar os poderes como Lorde Protetor para assegurar o cargo após a coroação o sobrinho. A primeira atitude foi convocar o Parlamento para 25 de junho.

O Chanceler, bispo John Russel, escreveu um sermão, pedindo o consentimento do Parlamento para que “até que a maturidade e a regra pessoal sejam…simultâneas” no jovem rei, “o poder e autoridade” de Gloucester deveriam ser “consentidos e estabelecidos” pela autoridade do Parlamento. Richard julgava que o parlamento fortaleceria a autoridade dele como Lorde Protetor, concedendo-lhe a tutela do rei.

Como Elizabeth de York declara em The White Queen, a busca por poder de Elizabeth Woodville trouxe consequências irremediáveis para futuro de Edward V e para o reino. Não existia motivo para a rainha duvidar de Richard Gloucester e das intenções dele. O duque nunca demonstrou nada além de lealdade a Edward IV, era a pessoa melhor preparada para assumir todas as responsabilidades do governo e teria o apoio que dos súditos enquanto Edward não fosse capaz de assumir o cargo praticamente.

As atitudes dos Rivers não tinham justificativa fora governar por Edward V e assumir o controle do reino e o medo de perder o status que dispunham. Ao tentar barrar a nomeação de Richard como guardião e Protetor, a família despertou a fúria de nobres que fariam qualquer coisa para impedir que os Woodville assumissem efetivamente o poder.

Anthony Woodville se envolveu com Jane Shore após a morte de Edward IV e Jane foi obrigada a cumprir penitência por levar mensagens à rainha Elizabeth.

Jane Shore, após cumprir a penitência, cansada e enrolada em um cobertor
Jane Shore (Emily Berrington) na cena da penitência que Jane teve que cumprir no oitavo episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Jane nunca se envolveu com Anthony, mas foi condenada por levar informações

Anthony Woodville: Jane! O que aconteceu?

Jane Shore: Fui banida da corte. Minha família me rejeitou. Meus amigos não me dão abrigo. Ajude-me.

O enredo de Anthony Woodville no oitavo episódio é praticamente todo ficcional. Parte da trama do Conde Rivers aconteceu na verdade com Sir William Hastings, amigo e camareiro de Edward IV e com Thomas Gray, Marquês de Dorset, sobrinho de Anthony e filho do primeiro casamento de Elizabeth Woodville.

Jane Shore tinha um relacionamento com Thomas Gray e possivelmente com William Hastings. Quando o rei faleceu, Jane permaneceu na corte inglesa tornando-se amante do Marquês de Dorset (em outubro de 1483, quando Gray se juntou à rebelião do Duque de Buckingham contra Richard III, ele foi acusado de manter “a mulher vergonhosa e travessa chamada de esposa de Shore em adultério”).

Mais tarde, Shore se aproximou de Lord Hastings. Graças a Jane, Sir William e os Woodville se aproximaram. Jane Shore fora o meio de comunicação entre Hastings e os Rivers e levava informações de um lado para o outro.

Em 13 de junho de 1483, em uma reunião do conselho na Torre de Londres, Richard, Duque de Gloucester supostamente acusou Shore e a rainha Elizabeth Woodville de tentar, sob a insistência de Sir William, destruí-lo através de feitiçaria (algo parecido com o que Anne Neville diz em The White Queen, Elizabeth teria tentado enfeitiçar “o braço que segura a espada”).

A acusação levou à prisão de Jane Shore e uma punição atribuída pela Igreja “por sua vida viciosa”. O bispo de Londres a sentenciou à tradicional penitência pública por prostituição na Catedral de São Paulo (Saint Paul). Shore, vestida apenas com kirtle (anágua), foi obrigada a andar descalça pelas ruas de Londres. Ela carregou uma vela e caminhou na frente da cruz e de um coro cantando salmos. As multidões que testemunharam a penitência ficaram comovidas com sua situação e relataram que Jane suportou o castigo com grande dignidade.

Após a punição, Jane Shore foi enviada para a prisão de Ludgate. Thomas Lynom, o Procurador do Rei, se apaixonou pela jovem enquanto ela estava presa e pediu sua mão em casamento. Embora o rei Richard tenha tentado fazê-lo desistir da ideia, Lynom foi inflexível e o rei ordenou que Jane fosse libertada e permitiu o casamento dela com o procurador-geral.

Thomas Lynom sobreviveu à mudança de regime de 1485, transferindo com sucesso seus serviços para os Tudors. Ele serviu aos reis Henry VII e Henry VIII e foi conselheiro de Arthur, Príncipe de Gales. Elizabeth Shore faleceu por volta de 1527, mas informações sobre sua vida durante o casamento com Thomas são raras.

Anthony Woodville era leal a Richard Gloucester, mas foi condenado por traição e morto na Torre de Londres

Imagem de Richard de costas para Anthony pedindo clemência segurando as grades da cela da prisão.
Still de Richard Gloucester (Aneurin Barnard) visitando Anthony Woodville (Ben Lamb) no oitavo episódio de The White Queen (BBC One/Starz) .

Ficção

Anthony Woodville: Recebeu minha carta? Explicando que não participei de nenhuma traição.

Richard Gloucester: Poderíamos ter criado o príncipe Edward juntos.

Anthony Woodville: Não sou uma ameaça.

Richard Gloucester: Eu sei que se coroar Edward, ele só ouvirá seus conselhos. E não posso confiar em você.

Anthony Woodville: Você não pode. Não tem nenhuma prova de traição.  Não pode fazer isso. Richard, por favor. Não fiz nada errado. Richard, por favor! Poupe Richard Gray! Pense no que está fazendo!

Anthony Woodville tinha um relacionamento amigável com Richard Gloucester, mas é impossível saber se eles eram amigos próximos. Quando eles se conheceram, o Duque de Gloucester era uma criança e morava em Middleham com o primo Richard Neville, Conde de Warwick e não passava muito tempo na capital.

Os primeiros relatos oficiais envolvendo os dois são da época que o kingmaker tentou restaurar a coroa de Henry VI e Edward IV fugiu acompanhado pelo irmão Richard e pelo cunhado, Conde Rivers. O máximo que se pode confirmar é que eles eram aliados.

Rosemary Horrox sugeriu um vínculo de ‘família’ entre Gloucester e os Woodville. Richard possuía terras em East Anglia e nas contas do administrador judicial existia uma anuidade de £5 a pagar a Katherine Haute. Os Hautes eram relacionados aos Woodville através do casamento da irmã de Richard Woodville (pai de Elizabeth), Joan, com Sir William Haute. A sugestão é que Katherine era amante de Richard Gloucester, já que filha ilegítima dele se chamava Katherine (Katherine se casou com James Haute). 

Existem outras ligações entre Richard e os Woodville em East Anglia. Em 1471, o Duque de Gloucester recebeu as propriedades confiscadas de Lewis Fitz Lewis. Em 16 de março de 1475, ele concedeu essas terras a Elizabeth Woodville, possivelmente a pedido de Edward IV.  Em março de 1483, Anthony Woodville pediu a Richard Gloucester para atuar como juiz em uma disputa entre  ele e Roger Townshend sobre uma propriedade em Norfolk. Isso sugere cooperação entre Richard e os Woodvilles e um certo nível de confiança.

Ainda assim, por tentar barrar a nomeação do Duque de Gloucester como Lord Protector, Anthony Woodville e Richard Gray haviam sido presos antes de chegar a Londres com Edward V. Richard Gloucester provavelmente nunca mais os viu após a prisão, o que torna a discussão encenada na série impossível. Porém, Richard teve um aliado que se tornou inimigo em pouco tempo, William Hastings.

Em 10 de junho de 1483, o Duque de Gloucester enviou uma carta aos apoiadores do norte solicitando que homens armados a cavalo viajassem para Londres e acusou a “rainha, seu sangue, adeptos e afinidades” de ter a intenção de assassinar o Lorde Protetor e o Duque de Buckingham “por maneiras sutis e condenáveis”.

O exército seria reunido para marchar para o sul em 21 de junho, não para evitar a coroação de Edward, apenas a tempo da abertura do Parlamento em 25 de junho. Os historiadores presumem que Richard não planejava assumir o trono, somente assegurar o cargo de Protetor permanentemente.

O duque resolveu atacar a rainha antes de revelar os planos de obter a aprovação parlamentar. Mas ele calculou mal. Richard Gloucester enviou as cartas aos seguidores do norte sem garantir o apoio de alguns membros da nobreza, entre eles Sir William, Lord Hastings. Richard presumiu que tendo apoiado sua reivindicação ao protetorado e enviado a mensagem o alertando dos planos dos Rivers, Hastings ficaria ao lado dele novamente. Nesse caso, ele estava enganado.

Em vez de apoiar o plano de Gloucester, Sir William se voltou contra ele. Hastings desejava que Edward obtivesse a maioria imediatamente. Uma pequena e poderosa minoria no Conselho iniciou a oposição e começou a se encontrar para conspirar contra o governo. Os encontros tinham sido emitidas “Por conselho de nosso tio, Richard, Duque de Gloucester, Protetor e Defensor”. No dia 12 de junho, ordens foram emitidas sem o nome do Protetor.

Evidências apontam que William Hastings estendeu a mão para homens próximos a rainha e Richard soube que eles “se reuniam na casa um do outro”. Um dos mais notáveis foi o antigo inimigo de Sir William, Thomas Gray, Marquês de Dorset, que havia fugido para o exílio. A conspiração foi divulgada a Richard Gloucester por William Catesby, homem de confiança de Hastings. O perigo era iminente. Provavelmente questão de horas. Naquele momento, Richard era cercado por dois inimigos poderosos e não teve escolha a não ser remover William Hastings rapidamente.

Na sexta-feira, 13 de junho, o Duque de Gloucester convocou o Conselho para se reunir na Torre de Londres e acusou Hastings de traição. Uma proclamação foi então emitida, explicando os detalhes da trama, mas infelizmente nenhuma cópia permaneceu. Sir William foi condenado e levado a Green Tower (Torre Verde, dentro da Torre de Londres) e decapitado.

No curso normal dos eventos, a morte de Hastings teria sido seguida pelo confisco de suas terras e colocado uma quantidade considerável de dinheiro a disposição do Duque de Gloucester.  No entanto, Richard escolheu honrar os desejos de Sir William de ser enterrado perto do rei Edward em Windsor, e em 23 de julho, garantiu oficialmente a Lady Katherine Hastings que ela não sofreria de forma alguma com a conduta de seu falecido marido e recompensou generosamente o irmão de William Hastings pelos serviços anteriores.

Uma ordem foi enviada, por meio de Sir Richard Ratcliffe, para que um tribunal se reunisse em Pomfret para julgar Lord Rivers e seus companheiros. O Conde de Northumberland era o presidente do tribunal e o responsável pela condenação. Todos foram considerados culpados. No dia 25, Anthony Woodville, Thomas Gray e outros aliados foram decapitados.

Os presos em Londres, com William Hastings, foram praticamente absolvidos. Lord Stanley foi perdoado e surpreendentemente recompensado. O Bispo John Morton foi simplesmente detido e colocado a cargo do Duque de Buckingham. O arcebispo John Rotherham foi autorizado a retornar à sua diocese.

Os Woodvilles desistiram de qualquer resistência adicional ao governo do Lorde Protetor. O bispo de Salisbury, irmão da rainha e o cunhado dela, o Visconde Lisle, passaram a apoiar Richard.

Se há algum responsável pela morte do Conde Rivers, seria o Conde de Northumberland, mas Anthony Woodville e Richard Gray foram condenados em um processo legal, não assassinados na Torre de Londres na frente dos sobrinhos como acontece na série.

Richard III, como o irmão, Edward IV, raramente sentenciava alguém a morte, somente quando era extremamente necessário. Os aprisionados em Londres, que tiveram contato com Richard, ou não receberam punição alguma, ou continuaram apenas presos.

Elizabeth Woodville enviou outro menino à Torre de Londres no lugar de Richard de Shrewsbury, Duque de York.

O menino Geoffrey fingindo ser Príncipe Richard, está usando uma bandana como máscara. A Princesa Elizabeth está arrumando a máscara enquanto a rainha Elizabeth abraça o menino.
Elizabeth Woodville (Rebecca Ferguson) e a Princesa Elizabeth de York (Freya Mavor) entregam outro menino Geoffrey no lugar do Príncipe Richard, Duque de York (Ted Allpress) no oitavo episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Provavelmente ficção

Elizabeth Woodville: Precisamos tirá-lo daqui hoje a noite. Você e Thomas Gray. Precisamos achar um menino muito parecido com você.

Os rumores de que a rainha Elizabeth enviou um menino diferente a Torre de Londres ou que o Príncipe Richard simplesmente nunca esteve lá sempre existiram. Os Yorks buscavam restabelecer o trono e boatos assim poderiam ajudar a causa. Entretanto, o que de fato aconteceu com o pequeno duque ainda é um mistério (assunto abordado no episódio nove).

No começo de junho, Richard Gloucester não sabia o que fazer em relação à Elizabeth Woodville e a base que os Rivers haviam formado em Londres. O Duque de Gloucester tentou convencê-la a sair do santuário no final de maio, prometendo segurança. A rainha recusou.

Richard tentou persuadir o Conselho a remover o Duque de York do santuário para a preparação da coroação de Edward V, sem sucesso. No dia 9 de junho, uma reunião do Conselho durou das 10 horas da manhã às 2 horas da tarde, “mas não houve aquela conversa com a rainha”.

Tudo mudou quando os conspiradores foram descobertos e punidos. Elizabeth não teve escolha a não ser enviar o filho para a Torre de Londres no dia 16 de junho.

Na época a Torre de Londres era um palácio real, o local que os reis passavam os últimos dias antes de serem coroados, não um calabouço assustador.  A Torre foi construída como uma fortaleza, para proteger a realeza de ataques e invasões. Por ser um ambiente seguro, passou a ser usada também como prisão para nobres ao passar dos anos.

Richard III se tornou rei após Edward V foi declarado ilegítimo por conta de um suposto casamento anterior de Edward IV.

Na imagem o arcebispo está aproximando a coroa na cabeça de Richard III
Still da cena da coroação de Richard III (Aneurin Barnard) no oitavo episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Fato

Cecily Neville: Eles sabem. Edward se casou antes. O casamento com Elizabeth nunca foi legítimo.

Anne Neville: Nunca pensei que os rumores fossem verdade.

Edward IV viveu inúmeros casos amorosos, alguns famosos, outros nem tanto, mas todos conheciam a reputação do rei. Durante o reinado dele, existiam rumores que Edward tinha diversos filhos bastardos e havia se casado antes, como Anthony Woodville e Richard Gloucester dizem em The White Queen. Na vida real, os casamentos nunca passaram de boatos até 1483.

Em 22 de junho de 1483, o Dr. Ralph Shaa, irmão prefeito de Londres, declarou aos cidadãos que o casamento do rei Edward IV e Elizabeth Woodville era ilegal e os filhos deles eram ilegítimos e estavam impedidos de suceder o trono da Inglaterra.

O argumento do direito canônico do processo contra Edward IV e a Elizabeth Woodville (citada como Lady Elizabeth Gray) era composto de duas vertentes de evidência, ambas igualmente importantes. A primeira, de que houve um contrato de casamento entre Edward e Lady Eleanor Talbot Butler antes dele se casar com Elizabeth Woodville em maio de 1464. A segunda, muitas vezes esquecida, de que a cerimônia de casamento de Edward e Elizabeth foi clandestina, privada, diante de poucas testemunhas, sem proclamas convocados ou participação dos ministros do rei e, portanto, clandestina.

Um pré-contrato era um contrato legal que se referia promessa de se casar com outra pessoa e suficiente para anular casamentos posteriores de qualquer uma das partes. Era uma prática corriqueira na Idade Média e um meio muito comum de dissolução de matrimônio pelas cortes eclesiásticas medievais.

Em algum momento em junho de 1483, Dr. Robert Stillington, Bispo de Bath e Wells revelou ao Conselho algo há muito tempo oculto sobre Edward IV, o pré-contrato de casamento do rei com Lady Eleanor Talbot Butler, viúva de um filho de Ralph Butler, Lord Butler de Sudeley.

Eleanor Talbot nasceu por volta de 1436 e possuía uma árvore genealógica bastante impressionante. Ela era filha de John Talbot, 1° Conde de Shrewsbury, famoso comandante militar na Guerra dos Cem Anos, e de Lady Margaret Beauchump (filha de Richard Beauchump, 13° Conde de Warwick). Lady Eleanor se casou aos 13 anos com Thomas Butler e passou a morar no Castelo de Sudeley, em Gloucestershire. A união foi relativamente curta, o marido da jovem faleceu antes de 1460 e da queda dos Lancaster.

Não se sabe exatamente quando Eleanor conheceu Edward IV, mas o relacionamento o rei era questão de fofoca e especulação. Sem surpresa, não existe documentação relacionada a um casamento ou pré-contrato entre Edward IV e Lady Eleanor. Registros escritos de matrimônio não eram exigidos ou mantidos no século XV e Edward era conhecido pelo  hábito de prometer as mulheres tudo o que elas queriam ouvir, antes de deixá-las uma vez que a “conquista fosse feita”. 

A data provável para o casamento secreto (se aconteceu) seria segunda-feira, 8 de junho de 1461, quando o itinerário de Eduardo IV publicado em livro, aponta que o rei  se encontrava nas proximidades das mansões de Eleanor, em Warwickshire. Robert Stillington, bispo de Bath e Wells, afirmou que ele mesmo oficializou a cerimônia entre Edward e Lady Eleanor. A evidência foi mais do que suficiente para que uma lei fosse aprovada retirando dos livros o casamento de Edward com Elizabeth. O cronista Philippe de Commines escreveu:

O bispo revelou ao Duque de Gloucester que seu irmão, o rei Edward, havia se apaixonado por uma bela jovem e prometeu casamento com a condição de que ele pudesse se deitar com ela; a senhora consentiu e, como afirmou o bispo, ele os casou quando ninguém estava presente, exceto eles dois e ele.

Se o pré-contrato de casamento era verdadeiro ou não é impossível saber, uma vez que nenhuma das partes foi capaz de testemunhar. Eleanor Talbot faleceu em junho de 1468 e foi enterrada em 30 de junho de 1468 em Norwich, anos antes da polêmica.

O fato de Lady Eleanor ter falecido antes do nascimento dos filhos meninos de Edward IV não interferiu na legitimidade das crianças. Segundo a lei de legitimidade no século XV, o adultério impediria o casamento subsequente dos dois adúlteros. Assim, mesmo com a morte de Eleanor, Edward não poderia ter se casado com Elizabeth sob o direito canônico.

Ainda assim, a segunda razão para anular o casamento ente Edward IV Elizabeth Woodville era igualmente importante. O casamento de Edward e Elizabeth foi clandestino. Embora fosse uma prática considerada válida em muitas circunstâncias e os filhos pudessem ser considerados legítimos, a natureza clandestina dessa união específica tornava os filhos ilegítimos.

Os casamentos clandestinos eram deplorados porque as pessoas podiam se casar por engano ou fraude e a convocação de proclamas visava divulgar uma proposta de casamento e prevenir tais infortúnios ao declarar a boa fé das partes contratantes.

O casamento apressado e secreto de Edward e Elizabeth foi interpretado como má fé, pois os proclamas não foram convocados e os conselheiros do rei não foram informados (talvez por conta das negociações entre O Conde de Warwick para uma união entre Edward IV e a Princesa Bona). Edward era o monarca e as questões de casamento eram problemas do Estado (problema que explica a reação de Richard Neville no primeiro episódio).

Frequentemente, foi afirmado que o Parlamento era um lugar impróprio para julgar a questão da ilegitimidade, por ser uma assembléia secular. Era costume na Inglaterra do final do século XV que os casos de bastardia fossem julgados em um tribunal eclesiástico, mas a questão da herança era um assunto inteiramente secular e os canonistas contemporâneos admitiram isso. Em uma situação de menos urgência política e nacional, o caso teria sido levantado em um tribunal secular, que encaminharia a um tribunal eclesiástico, que por sua vez entregaria a decisão ao tribunal secular para tomar medidas necessárias. 

Afirmou-se que a opinião pública considerava o casamento de Edward e Elizabeth inválido, a verdade essencial dessa opinião pública poderia ser presumida e nenhum julgamento era necessário. Assim, a lei canônica poderia aceitar que o pré-contrato existiu apenas pela palavra do bispo de Bath e Wells ou porque foi notoriamente aceito como um fato. O Parlamento estava ciente de que existia um problema de jurisdição e, de acordo com o Cronista de Croyland, aceitou com relutância o título do novo rei.

As circunstâncias políticas certamente afetaram a decisão. Era urgente que houvesse um rei, e geralmente não era desejável que uma criança estivesse no trono. A importância da notoriedade nos argumentos enfatiza a conhecida inclinação de Edward IV a aventuras amorosas. Era muito fácil supor que ele poderia ter seduzido uma senhora bem nascida como Lady Eleanor Talbot, filha do conde de Shrewsbury, com palavras de casamento. 

O casamento secreto de Edward com Elizabeth Woodville em uma casa particular com poucas testemunhas chocou o Conselho quando foi revelado e a história era incrivelmente conhecida em toda a Europa, junto com o detalhe de que ela “preservou sua virtude” e defendido o casamento contra todas as convicções dele. 

Os filhos do Duque de Clarence não foram excluídos da linha de sucessão (as crianças de um traidor perdiam o direito ao trono, eram inválidos por lei). O Duque de Gloucester era, segundo o Parlamento, o herdeiro legal e ficou decidido que ele deveria ser chamado para aceitar o alto cargo de rei.

Algumas fontes crêem que Richard pensava que Edward, Conde de Warwick (filho de George, duque de Clarence) era o verdadeiro herdeiro, mesmo excluído pelo Parlamento por conta da traição do pai. Contudo, mesmo se Richard tivesse tentado substituir o filho do falecido rei pelo Conde de Warwick, é muito improvável que os membros do Parlamento tivessem consentido. Eles temiam, acima de tudo, um rei menor de idade.

Em 26 de junho de 1483, “Os Três deste Reino da Inglaterra” solicitaram ao Duque de Gloucester que subisse ao trono como Richard III. Ele aceitou.

 Richard III com o olhar sério na cena do leito de morte de Edward IV
Aneurin Barnard como Richard III em uma still do oitavo episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

O direito de Richard III à coroa foi estabelecido em um rolo de pergaminho apresentado a ele por “numerosos senhores espirituais e temporais e uma grande multidão de outros nobres e pessoas notáveis da comunidade”. Mas os Três Estados do Reino não estavam reunidos naquele momento na forma de um parlamento. A fim de dissipar várias dúvidas, questões e ambiguidades, a petição anteriormente apresentada ao até então Richard Gloucester em junho de 1483 foi posteriormente ratificada como o Titulus Regius (Título Real) no Parlamento realizado entre janeiro e fevereiro de 1484.

O Titulus Regius é o documento contemporâneo mais importante que estabelece o título de Richard III ao trono da Inglaterra. Os motivos pelos quais ele se tornou rei são claramente explicados e legalmente consagrados como um ato do Parlamento. Henry VII posteriormente revogou o ato e ordenou a destruição de todas as cópias do Titulus Regius. No entanto, em violação direta da ordem de Henry, a versão original, preservada nas listas do parlamento, permaneceu intocada e foi publicada pela primeira vez em 1611 por John Speed, durante o reinado de James I.

Leia a seguir, a tradução completa do Titulus Regius:

Onde anteriormente, isto é, antes da Consagração, Coroação e Entronização de nosso Soberano Senhor o Rei Richard III, um rolo de pergaminho contendo por escrito certos artigos firmados em nome do Três Estados deste Reino da Inglaterra, isto é, dos Senhores Espirituais e Temporais e dos Comuns, por muitos e diversos Senhores Espirituais e Temporais, e outros nobres e pessoas notáveis dos Comuns, foram apresentados e realmente entregues ao nosso referido Soberano Senhor o Rei, para o propósito e efeito expressos amplamente no mesmo Roll (Rolo ou lista); ao qual Rolo, e às Considerações e Petição instantânea nele contidas, nosso dito Soberano Senhor, para o bem público e tranquilidade desta Terra, benignamente consentiu.


Ora, visto que nem os ditos Três Estados, nem as ditas pessoas, que em seu nome apresentaram e entregaram, como foi dito acima, o dito Roll ao nosso Soberano Senhor o Rei, estavam reunidos na forma de Parlamento; e por ocasião de que, diversas dúvidas, questionamentos e ambiguidades foram movidos e engendrados nas mentes de muitas pessoas, como é dito:


Portanto, para a memória perpétua da verdade e declaração da mesma, seja ordenado, providenciado e estabelecido neste Parlamento presente, que o teor do referido Roll, com toda a continuação do mesmo, seja apresentado, como é acima mencionado, e entregue ao nosso Soberano Senhor o Rei, em nome e por meio dos referidos três Estados fora do Parlamento, agora pelos mesmos três Estados reunidos neste Parlamento atual, e por autoridade do mesmo, sejam ratificados, inscritos, registrados, aprovados e autorizados, para afastar a ocasião de dúvidas e ambiguidades, e para todos os demais efeitos legais que daí resultarem; de modo que todas as coisas ditas, afirmadas, especificadas, desejadas e lembradas no referido Roll, e no teor do mesmo subscrito, em nome dos referidos Três Estados, para o efeito expresso no mesmo Roll, sejam de efeito semelhante de virtude e força, como se todas as mesmas coisas tivessem sido ditas, afirmadas, especificadas, desejadas e lembradas em um Parlamento pleno, e por autoridade do mesmo, aceitas e aprovadas.
Ao Alto e Poderoso Príncipe Richard, Duque de Gloucester
Por favor Vossa Nobre Graça, compreenda a consideração, eleição e petição, de nós, os Senhores Espirituais e Temporais e Comuns deste Reino da Inglaterra, para, de forma agradável, dar seu consentimento, para o bem comum e público desta terra, para os confortos e alegria de todas as pessoas da mesma.


Em primeiro lugar, consideramos como que até então no passado, esta Terra, por muitos anos, permaneceu em grande prosperidade, honra e tranquilidade; que foram causadas porque os reis que então reinavam, usaram e seguiram o conselho de certos Senhores Espirituais e Temporais, e outras pessoas de prudência, política e experiência aprovadas, temendo a Deus, e tendo terno zelo e afeição ao ministério indiferente da Justiça e do bem-estar comum e político da Terra, então nosso Senhor Deus foi temido, amado e honrado; quando dentro da Terra havia paz e tranquilidade, e entre os vizinhos concórdia e caridade; então a malícia dos inimigos externos foram fortemente resistidos e reprimidos, e a Terra honrosamente defendida com muitas grandes e gloriosas vitórias, então o intercâmbio de mercadorias foi amplamente usado e exercido; pelo que as coisas acima lembradas, a Terra foi grandemente enriquecida, de modo que tanto os mercadores e artífices, como outros pobres, trabalhando para viver em ocupações diversas, tivessem ganho competente, para o sustento deles e de suas famílias, vivendo sem miséria e pobreza intolerável.


Mas depois, quando aqueles que governavam esta Terra, deliciando-se com a adulação e lisonja, e guiados pela sensualidade e concupiscência, seguiram o conselho de pessoas insolentes, viciosas e de avareza desordenada, desprezando o conselho do bem, pessoas virtuosas e prudentes como acima sejam lembradas; a prosperidade desta Terra diminuiu diariamente, de modo que a felicidade se transformou em miséria, a prosperidade em adversidade, e a ordem da política e da lei de Deus e do Homem confundidas; pelo que é provável que este Reino caia em extrema miséria e desolação, que Deus defenda, sem a devida provisão do remédio conveniente a este respeito com toda a pressa.


Sobre isto, entre outras coisas, mais especialmente consideramos como aquele, na época do Reinado do Rei Edward IV, recentemente falecido, após o casamento pretenso e indelicado, como toda a Inglaterra tinha razão de dizer, feito entre o referido Rei Edward IV e Elizabeth , uma vez esposa de Sir John Gray, Cavaleiro, posteriormente nomeando-se por muitos anos Rainha da Inglaterra, a ordem de todas as regras políticas foi pervertida, as leis de Deus e da Igreja de Deus, e também as leis da natureza e da Inglaterra, e também os louváveis ​​costumes e liberdades do mesmo, em que todo inglês é herdeiro; quebrada, subvertida e desprezada, contra toda razão e justiça, de modo que esta Terra foi governada por obstinação e prazer, medo e pavor, toda forma de equidade e leis separadas e desprezadas, das quais resultaram muitos inconvenientes e perversidades, como assassinatos, extorsões e opressões, nomeadamente de pessoas pobres e impotentes, de modo que nenhum homem tinha certeza de sua vida, terra ou sustento, nem de sua esposa, filha ou serva, toda boa donzela e mulher tinha pavor de ser estuprada e contaminada. E, além disso, que discórdias, batalhas internas, efusão do sangue dos homens cristãos e, pela destruição do sangue nobre desta Terra, foram tidas e cometidas na mesma, é evidente e notório através de todo este Reino até a grande tristeza e peso de todos os verdadeiros ingleses.


E aqui também consideramos, como o dito casamento pretenso, entre os acima mencionados Rei Edward e Elizabeth Gray, foi feito de grande presunção, sem o conhecimento ou consentimento dos Senhores desta Terra, e também por feitiçaria e bruxaria, cometidas por a dita Elizabeth e sua mãe, Jacquetta, duquesa de Bedford, como a opinião comum do povo e da voz pública, e a fama estão por toda esta Terra; e a seguir, se, e conforme o caso exigir, será provado suficientemente no tempo e local convenientes.


E aqui também consideramos como o dito casamento pretenso foi feito em privado e secretamente, com edição de proclamas, em câmara privada, um local profano, e não abertamente na face da igreja, segundo as leis da igreja de Deus, mas ao contrário a isso e ao costume louvável da Igreja da Inglaterra. E como também, na época do contrato do mesmo pretenso casamento, e antes e muito tempo depois, o dito rei Edward prometeu casamento e se comprometeu com uma Dama, Eleanor Butler, filha do velho conde de Shrewsbury, com quem o dito rei Edward tinha feito um pré-contrato de matrimônio, muito tempo antes de ele ter feito o dito casamento pretenso com a dita Elizabeth Gray na maneira e na forma citadas. Tais premissas sendo verdadeiras, como na verdade eram verdadeiras, parece e segue evidentemente, que o dito Rei Edward durante sua vida, e a dita Elizabeth, viveram juntos pecaminosamente e condenadamente em adultério, contra a lei de Deus e sua Igreja; e, portanto, não é de se admirar que o Senhor soberano e cabeça desta Terra, sendo de tal disposição ímpia, e provocando a ira e indignação de nosso Senhor Deus, tais perversidades e inconveniências hediondas, como são acima lembradas, foram usados e cometidas no Reino entre os súditos. Também parece evidente que todos os descendentes e filhos do referido rei, foram (são) bastardos, e incapazes de herdar ou reivindicar qualquer coisa por herança, pela lei e costume da Inglaterra.


Além disso, consideramos depois, pelos Três Estados deste reino reunidos em um Parlamento realizado em Westminster no 17 º ano do reinado do dito rei Edward Quarto, ele estando em posse da coroa e do Estado (Propriedade) Real na época, por ato feito no mesmo Parlamento, George, Duque de Clarence, irmão do dito rei Edward, já falecido, foi condenado e acusado de alta traição, como no mesmo ato está contido mais amplamente. Porque e por traição da qual toda a questão do dito George foi e é desabilitada e barrada de todo direito de alegar qualquer forma que eles poderiam ter ou desafiar por herança à coroa e dignidade real deste Reino, pela antiga lei e costume deste mesmo Reino.


Sobre isso consideramos, como você é o indubitável filho e herdeiro do falecido Duque de York de Richard, muito herdeiro da dita coroa e dignidade real e como de direito rei da Inglaterra, por meio de herança, e que neste momento, com as premissas devidamente consideradas, não há outra pessoa viva além de você, que por direito pode reclamar a dita coroa e dignidade real, a título de herança, e como você nasceu nesta Terra; razões pelas quais, como julgamos em nossas mentes, você está naturalmente inclinado para a prosperidade e bem-estar comum do mesmo: e todos os três Estados da Terra têm, e podem ter, um conhecimento mais certo de seu nascimento e filiação acima mencionado. Consideramos também, a grande inteligência, prudência, justiça, coragem principesca e os atos memoráveis e louváveis em diversas batalhas, que, como sabemos por experiência, você fez até agora para a salvação e defesa deste mesmo Reino; e também a grande nobreza e excelência de seu nascimento e sangue, como daquele que é descendente das três casas mais reais da cristandade, isto é, Inglaterra, França e Espanha.


Portanto, estas premissas por nós diligentemente consideradas, desejamos afetuosamente a paz, tranquilidade e bem-estar público desta Terra, e a redução das mesmas ao antigo estado de honra, e prosperidade, e tendo em sua grande prudência, justiça, coragem principesca e excelente virtude, confiança singular, escolhemos em tudo o que há em nós, e por esta escritura escolhemos você, alto e poderoso Príncipe, em nosso Rei e Senhor soberano, etc., a quem sabemos com certeza que pertence à herança para ser escolhido. E por isso nós humildemente desejamos, oramos e exigimos sua dita Nobre Graça, que, de acordo com esta nossa eleição os Três Estados desta Terra, como por sua verdadeira herança, como por eleição legítima; e caso o faça, prometemos servir e ajudar Vossa Alteza, como súditos e vassalos verdadeiros e fiéis, e viver e morrer com você neste assunto, e todas as outras brigas. Pois certamente estamos determinados a nos aventurar e nos comprometer com o perigo de nossas vidas e risco de morte, do que viver em tal escravidão como temos vivido há muito tempo até agora, oprimidos e feridos por novas extorsões e imposições, contra as leis de Deus e o homem, e a liberdade, a velha política e as leis deste Reino onde todo inglês é herdado. Nosso Senhor Deus, Rei de todos os Reis, por cuja infinita bondade e eterna providência todas as coisas foram governadas principalmente neste mundo iluminam sua alma, e conceda-lhe graça para fazer, tão bem neste assunto como em todos os outros, tudo o que possa ser de acordo com sua vontade e prazer, e para o bem comum e público desta Terra, de modo que após grandes nuvens, problemas, chuvas e tempestades, o filho (sol) da justiça e da graça possa brilhar sobre nós, para o conforto e alegria de todos os verdadeiros ingleses.


Embora o direito, o título e a propriedade, que nosso soberano Senhor, o Rei Richard III tem para e na coroa e dignidade real deste Reino da Inglaterra, com todas as coisas a esse respeito dentro deste mesmo Reino e sem ele, unido, anexados e pertencentes, foram justos e lícitos, conforme fundamentados nas leis de Deus e da Natureza, e também nas antigas leis e costumes louváveis deste referido Reino, e assim tomados e reputados por todas as pessoas que foram aprendidas nas referidas leis e costumes. No entanto, por muito que se considere que a maior parte do povo desta Terra não é suficientemente instruída nas leis e costumes acima mencionados, pelos quais a verdade e o direito em nome da probabilidade podem ser ocultados e não claramente conhecidos a todo o povo, e então colocado em dúvida e questionamento. E sobre isso, como o Tribunal do Parlamento é de tal autoridade, e o povo da Terra de tal natureza e disposição, como a experiência ensina, aquela manifestação e declaração de qualquer verdade ou direito, feita pelos Três Estados deste Reino reunidos no Parlamento, e por autoridade do mesmo, faz, antes de todas as outras coisas, mais fé e certeza e, acalmando as mentes dos homens, remove todas as dúvidas e linguagem sediciosa.


Portanto, a pedido, e pelo consentimento dos Três Estados deste Reino, isto é, os Senhores Espirituais, Temporais e Comuns desta Terra, reunidos neste presente Parlamento pela autoridade do mesmo, seja pronunciado, declarado e decretado, que nosso dito soberano Senhor o Rei era e é o verdadeiro e indubitável Rei deste Reino da Inglaterra; com todas as coisas para isso dentro deste mesmo Reino, e sem ele unido, anexado e pertencente, tanto por direito de consanguinidade e herança quanto por eleição legal, consagração e coroação. E sobre isso, que, a pedido, e pelo consentimento e autoridade supracitada seja ordenada, promulgada e estabelecida que a dita coroa e dignidade real deste Reino, e a herança da mesma, e outras coisas para isso dentro do mesmo Reino, unido, anexado e agora pertencente, descansam e habitam na pessoa de nosso dito soberano Senhor o Rei, durante sua vida, e, após sua morte, em seus herdeiros de seu corpo gerado.


E especialmente, a pedido e pelo consentimento e autoridade acima mencionados, seja ordenado, promulgado, estabelecido, pronunciado, decretado e declarado que o alto e excelente Príncipe Edward, filho de nosso dito soberano Senhor o Rei, seja herdeiro aparente do nosso soberano Senhor, o Rei, para sucedê-lo na mencionada coroa e dignidade real, com todas as coisas acima mencionadas unidas, anexadas e pertencentes; tê-los após a morte de nosso dito soberano Senhor o Rei para ele e para seus herdeiros de seu corpo legitimamente gerados.


A este projeto de lei a Câmara dos Comuns deu seu consentimento e, consequentemente, foi aprovado.

O Titulus Regius é inestimável como evidência do direito de Richard governar. É um documento que, se Henry VII tivesse tido sucesso, teria se perdido para toda a história. O professor Charles Wood escreveu em 1975: “Por mais irônico que seja, Richard III, lendário usurpador e tirano, afirma ter sido o único possuidor de um título genuinamente parlamentar durante toda a Idade Média”.

O documento prova que Richard não foi um usurpador como se acredita. John Ashdown-Hill, autor do livro The Mythology of Richard III explicou a situação em um artigo para o site History Extra da BBC History Magazine:

A definição do dicionário de ‘usurpar’ é “apreender e manter (o poder e os direitos de outro, por exemplo) pela força ou sem autoridade legal”. O site oficial da Monarquia Britânica afirma de forma inequívoca (mas completamente errônea) que “Richard III usurpou o trono do jovem Eduardo V”.

Curiosamente, o site da monarquia não descreve Henry VII ou Edward IV como usurpadores, mas ambos os reis tomaram o poder pela força, em batalha! Por outro lado, Richard III não tomou o poder. Foi-lhe oferecida à coroa pelos Três Estados do Reino (os Senhores e os Comuns que vieram a Londres para a abertura de um futuro Parlamento em 1483) com base nas provas apresentadas a eles por um dos bispos, no sentido de que Edward IV havia cometido bigamia e que Edward V e seus irmãos eram, portanto, bastardos.

Mesmo que esse julgamento fosse incorreto, o fato é que foi uma autoridade legal que convidou um Richard possivelmente relutante a assumir o papel de rei. Sua caracterização como um ‘usurpador’ é, portanto, simplesmente um exemplo de como a história é reescrita pelos vencedores (neste caso, Henry VII).

Richard III e Anne Neville foram coroados em uma cerimônia grandiosa e Margaret Beaufort segurou a cauda do traje da rainha

Imagem dos arcebispos aproximando as coroas das cabeça do rei e da rainha. O plano evidência a arquitetura da abadia e o casal sentado em seus respectivos tronos.
Still da cena em que o rei Richard III (Aneurin Barnard) e da Rainha Anne (Faye Marsay) são coroados no oitavo episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Fato

Ao contrário de inúmeras cerimônias de coroação da Idade Média, a coroação de Richard III foi muito bem documentada e existem diversos relatos da época. É importante lembrar que foi um evento incomum, pois foi uma dupla coroação – Richard e a esposa, Anne Neville, foram ungidos lado a lado na Abadia de Westminster, 175 anos após a última cerimônia conjunta.

No século XII, a Inglaterra presenciou a coroação de Henry II e Eleanor de Aquitânia, enquanto o século XIII viu Edward I e Eleanor de Castela e o século XIV testemunhou Edward II e Isabel da França, em 1308.

Richard III e Anne Neville foram coroados em um domingo, 6 de julho de 1483 em na Abadia de Westminster em Londres. .

Um tapete vermelho havia sido estendido pelas ruas da cidade para seguir o caminho da procissão. Richard e Anne caminharam descalços, primeiro para Westminster Hall e depois para a Abadia de Westmister. A fila era liderada por um grupo de padres carregando uma grande cruz e Henry Percy, Conde de Northumberland, carregando a espada da misericórdia.

Lord Stanley levava o bastão do Lord High Constable, o Conde de Kent e Francis, visconde Lovellas portavam as espadas da justiça, o cunhado de Richard, John de la Pole, Duque de Suffolk carregou o cetro e finalmente John Howard, Duque de Norfolk, a coroa de joias que seria colocada na cabeça de Richard.

Richard usava uma vestimenta roxa (cor da realeza) e a cauda foi segurada por Henry Stafford, Duque de Buckingham, que também carregava a vara branca de Alto Administrador. Além do rei e da rainha, a figura mais importante solenidade era Buckingham. Como o Conde de Warwick antes dele, Henry se via como o kingmaker (fazedor de rei) de Richard e, como tal, insistia em um lugar de honra durante os eventos. Um grupo de condes e barões os seguiu.

Margaret Beaufort, Condessa de Richmond liderava a parte da rainha e segurava a cauda do traje de Anne. Ela foi seguida pela irmã de Richard, a Princesa Elizabeth de York, Duquesa de Suffolk, e atrás dela, a Duquesa de Norfolk, que estava à frente de cerca de 20 damas e uma linha de cavaleiros menores e escudeiros.

Quando a procissão chegou à Abadia, cantos começaram ecoar para marcar a entrada de Richard e Anne na nave. O coro continuou enquanto o grupo entrava em fila e o rei e a rainha eram escoltados aos assentos. De lá eles, eles caminharam para o altar-mor, para serem ungidos na cabeça, mãos e coração. Por último, o casal foi coberto com tecido de ouro e formalmente coroado.

Richard e Anne voltaram aos seus lugares para a missa solene. Buckingham e Norfolk ficaram um de cada lado de Richard, enquanto a Duquesa de Suffolk e Margaret Beaufort acompanhavam Anne.  A música recomeçou quando a procissão saiu da Abadia, seguindo o caminho detapete vermelho até o Westminster Hall.

Seguiu-se uma breve pausa enquanto o tribunal se preparava para a festa da coroação. Os senhores e senhoras presentes prestaram homenagem ao casal real e festejaram. Depois que o segundo prato foi servido, o Campeão do Rei entrou no salão em um cavalo e entregou o desafio habitual – a resposta, é claro, foi um grito unificado de “Rei Richard!” Por tradição, foi servido vinho tinto ao campeão, que tomou um gole, jogou o resto e saiu com a taça como pagamento. Quando as reverências finais terminaram, Richard e Anne saíram do salão ao som de trombetas.

O site da Abadia de Westminster destaca a coroação do Rei Richard III e da Rainha Anne como um “espetáculo magnifico”:

Richard, Duque de Gloucester, foi coroado na Abadia como Richard III no domingo, 6 de julho de 1483. Na véspera, ele e sua rainha Anne (Neville) cavalgaram em procissão da Torre de Londres para Westminster. No dia da cerimônia, eles caminharam descalços em um tapete vermelho do White Hall ao Westminster Hall e depois à Abadia. O trem da rainha foi carregado por Margaret, condessa de Richmond, cujo filho se tornaria Henry VII após derrotar Richard na Batalha de Bosworth. Richard foi coroado por Thomas Bourchier, arcebispo de Canterbury. Quase todo a nobreza da Inglaterra estava presente no que foi um espetáculo magnífico. Seguiu-se o tradicional banquete de coroação no Westminster Hall.

O local dos banquetes reais, o Westminster Hall ainda existe. Diferente da Abadia de Westminster, palco das coroações até hoje, o espaço das festas se tornou um museu, mas mantém toda a arquitetura original. Richard III inaugurou uma nova era quando reduziu o número de convidados, todavia, a tradição foi abandonada em William IV, que decidiu que os banquetes eram espetáculos caros demais.

O banquete de coroação de Richard e Anne merece atenção devido à presença de praticamente todos os nobres do reino, inclusive parte da família da rainha Elizabeth Woodville e pessoas que seriam condenadas por se voltar contra o rei meses mais tarde. Todas as festividades iludiram o povo e a própria aristocracia, que pensavam estar no início de um período de paz.

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