A série The White Queen (2013), produzida pela BBC One em parceria com o canal Starz, é baseada em três livros da escritora Philippa Gregory: The White Queen (sobre Elizabeth Woodville, rainha consorte de Edward IV), The Red Queen (sobre Margaret Beaufort, mãe de Henry VII) e The Kingmaker’sDaughter, (sobre Anne Neville, filha de Richard Neville, conde de Warwick e rainha consorte de Richard III).

The White Queen é de longe a série mais historicamente precisa do canal Starz (que também produziu The White Princess e The Spanish Princess). Mas, por ser baseada em livros que misturam realidade com rumores da época e fantasia, alguns fatos podem confundir aqueles que conheceram e se interessaram pelos períodos York e Tudor através das séries.

Estes artigos especiais abordam os principais momentos de cada um dos dez episódios de The White Queen e esclarece se foram reais, fictícios ou baseados em rumores.

Você pode conferir os artigos sobre cada episódio na lista a seguir: :

Episódio 1:  Apaixonada pelo Rei

Episódio 2: O Preço do Poder

Episódio 3: A Tempestade

Episódio 4: A Rainha Má

Episódio 5: A Guerra na Própria Pele

Episódio 6: Amor e Morte

Episódio 7: Veneno e Vinho

Episódio 8: Vida Longa ao Rei

The White Queen Episódio 4: A Rainha Má

Richard Neville arranjou o casamento entre Anne Neville e Edward de Lancaster para iniciar uma aliança com Margaret de Anjou

Still da cena em que  Richard Neville (James Frain) e Margaret de Anjou (Veerle Baetens) se encontram na Catedral de Angers no quarto episódio de The White Queen (BBC One/Starz).
Still da cena em que Richard Neville (James Frain) e Margaret de Anjou (Veerle Baetens) se encontram na Catedral de Angers no quarto episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Fato

Richard Neville: Eu estive fazendo acordos.

George de Clarence: Que tipo de acordos?

Anne Neville: Nós vamos voltar para casa?

Richard Neville: Sim, mas não agora. Você se casará antes, Anne.

Anne Neville: Casar? Com Richard?

George de Clarence: Com o meu irmão?

Richard Neville: Não, claro que não.

Anne Neville: Com quem então?

Richard Neville: O Príncipe Edward de Lancaster.

O conde de Warwick e o duque de Clarence haviam partido para Calais, e não era claro para Edward IV o que eles estavam planejando. Era muito improvável que alguém imaginasse a aliança que começaria na viagem. Warwick e sua uma vez maior inimiga, Margaret de Anjou, estavam trabalhando juntos com o apoio do rei Louis XI da França.

Richard Neville foi impedido de acessar a fortaleza dele em Calais e forçado a buscar abrigo na França, chegando a Honfleur, no Sena, em maio de 1470. Louis XI da França decidiu organizar uma reconciliação entre Warwick e Margaret de Anjou. O rei esperava que uma Inglaterra Lancaster dominada por Neville se aliasse à França e devolvesse Calais, além depermitir ao país concentrar os esforços a obter o controle de Borgonha e da Bretanha.

As duas partes viam o acordo como a melhor chance de sucesso. Warwick tinha sido expulso da Inglaterra e barrado em Calais (base que ele usara entre 1459-1460). A rainha Margaret estava sendo obrigada a viver no exílio desde a Batalha de Towton, o marido dela estava preso na Torre de Londres e o filho, Edward, era obrigado a viver longe do reino que, para ela, pertencia a ele.

Em 22 de julho, Richard Neville e Margaret de Anjou se encontraram na Catedral de Angers. Margaret forçou Warwick a passar vinte minutos de joelhos diante dela, antes de perdoá-lo por seus crimes passados e os dois chegaram a um acordo formal.

Neville planejava invadir e Inglaterra e resgatar Henry VI da Torre de Londres (com a ajuda de Jasper Tudor). Em troca, propôs o casamento entre a filha Anne e Edward de Lancaster.

Margaret de Anjou: Até o casamento eu não farei nada. Como eles são primos tenho que esperar a licença do papa.

Após o noivado, Anne deveria ficar com a sogra, a rainha Margaret, enquanto Warwick restabelecia Henry. Apenas quando Warwick estabelecesse Henry e o rei estivesse seguro, Margaret e o filho voltariam para a Inglaterra.

A licença papal foi emitida em 17 de agosto de 1470, mas Michael Hicks sugere que um defeito foi encontrado propositalmente, já que a segunda licença data de 28 de novembro de 1470. Margaret de Anjou era inteligente e pode ter esperado para ver como Richard Neville se sairia ante de comprometer o filho permanentemente. Contudo, a invasão de Warwick possuía um enorme suporte financeiro de Louis para levar inúmeros soldados com ele.

Edward de Lancaster e Anne Neville se casaram em 13 de dezembro de 1470 no Castelo de Ambosie, na capela do palácio real, onde o próprio rei Louis assistiu a cerimônia, acompanhado da rainha Margaret e da condessa de Warwick, Anne.

No dia seguinte ao casamento, os noivos e mãe deles foram para Paris, onde o rei Louis organizou para que fossem cumprimentados por pessoas da cidade e oficiais franceses. Eles adentraram a cidade pela Ponte Sain-Jacques e passaram por ruas decoradas com tapeçarias, antes de chegarem aos aposentos no palácio. De Paris, todos seguiram para Rouen.

George Clarence não concordou com a decisão de Warwick

 David Oakes como George de Clarence em uma still do quarto episódio de The White Queen (BBC One/Starz).
David Oakes como George de Clarence em uma still do quarto episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Fato

George Clarence: Tudo que eu sofri foi para trazer de volta o lunático que destituímos?

Richard Neville: É a única saída George.

George Clarence: Para que? Aquela maluca maldita decapitou o meu pai!

Os Lancasters e os Yorks eram inimigos desde antes do início da Guerra das Rosas. Durante a batalha de Wakefield, em 1460, Richard, duque de York e Edmund de York (pai e irmão de George), foram decapitados e tiveram as cabeças exibidas na entrada da cidade de York.

De acordo com historiadores, o duque de Clarence não se sentiu nem um pouco satisfeito ao ser posto de lado pelo conde de Warwick e nunca foi realmente fiel aos planos do primo de coroar Henry VI novamente.

Apesar de ter recebido um bom acordo: George Clarence se tornaria Duque de York e seria o segundo na linha de sucessão, atrás apenas do Príncipe Edward, Clarence sabia que tinha poucas chances de se tornar rei. O Príncipe estava prestes a se casar com Anne Neville e o casal poderia ter filhos que afastariam George ainda mais.

Cecily Neville: Ele não tem outra escolha. Mas vocês acham que ele tem?

Elizabeth Woodville: Edward o aceitaria de volta. Essa é a verdadeira tragédia. Se George ao menos soubesse…

Não se sabe exatamente quando o duque de Clarence resolveu se reconciliar com Edward IV, mas acredita-se que ele tenha passado a se encontrar com a irmã mais velha, Anne de York, em janeiro de 1471, e ela ajudou a convencê-lo abandonar Warwick.

Diferente de The White Queen, em que Cecily Neville manda um recado através de uma de suas damas de companhia, Lady Sttuclife, parece que Anne foi a responsável por unir os irmãos novamente.

Edward Lancaster era um “monstro”

Imagem da cena em que Edward Lancaster (Joey Batey) conhece Anne Neville (Faye Marsay) no quarto episódio de The White Queen (BBC One/Starz).
Still da cena em que Edward Lancaster (Joey Batey) conhece Anne Neville (Faye Marsay) no quarto episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Impossível saber

Anne Neville: Edward de Lancaster é um mostro, eu não quero casar com ele.

Richard Gloucester: Como ele pode pensar em dar a própria filha para aquele mostro?

Duas citações da série dizem diretamente que o Príncipe Edward era “um monstro” (sem contar as atitudes dele). É impossível saber a verdade, mas a vida o príncipe foi motivo de especulação, desde antes do nascimento. Richard, duque de York, e inúmeros membros da corte e do povo espalhavam rumores de que Edward era ilegítimo. Muitos pensavam que Henry VI era incapaz de ter filhos devido aos problemas mentais que o rei sofria.

Durante a primeira parte da Guerra das Rosas, o pequeno Edward foi o membro mais importante da campanha de Margaret de Anjou para ganhar aliados, afinal o menino era o herdeiro da casa Lancaster. De acordo com o cronista francês Jean de Waurin, ao final da segunda batalha de St Albans, quando perguntado pela mãe o que deveria ser feito com os prisioneiros capturados William Bonville e Sir Thomas Kyiell, o príncipe de apenas sete anos respondeu que eles deveriam ser decapitados.

Em fevereiro de 1467, o embaixador de Milão na França, Giovanni Pietro Panicharolla, escreveu:

“Esse menino, embora tenha apenas treze anos, já não fala de mais nada a não ser cortar cabeças e guerrear, como se ele tivesse tudo nas mãos, fosse o deus da batalha, ou o ocupante daquele trono”.

Mais tarde, o tutor do Príncipe Edward, John Fortescue, descreveu em seu tratado legal, Laudibus Legum Anglie:

“O príncipe, desde que cresceu, se dedica completamente a exercícios marciais; e, sentado em corcéis ferozes impulsionado por suas esporras, se deleita em atacar e derrubar os companheiros treinando com ele, algumas vezes com uma espada, algumas vezes com uma lança, algumas vezes com outras armas, em estilo de guerra, de acordo com as maneiras militares”.

Em outro trecho, Fortescue afirma que sempre disse a Edward que gostaria que o príncipe fosse “devotado aos estudos das leis com o mesmo zelo que você tem pelas armas, já que as batalhas são determinadas pelas armas, mas os julgamentos pelas leis (…) não apenas porque você é um cavaleiro, mas muito mais porque você será rei. O ofíciodo rei é lutar batalhas pelas pessoas e julgá-las corretamente”.

Embora sejam citações bastante reveladoras para os dias de hoje, Edward poderia ser o resultado do mundo em que vivia. O pai estava preso há anos e o príncipe era obrigado a viver longe de casa em meio a uma guerra. De qualquer forma, nenhum documento oficial é lisonjeiro ao príncipe Lancaster.

Margaret Beaufort foi punida por apoiar George de Clarence e Warwick

A atriz  Amanda Hale como  Margaret Beaufort em uma imagem do quarto  episódio de The White Queen (BBC One/Starz).
A atriz Amanda Hale como Margaret Beaufort em uma still do quarto episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Ficção

Praticamente toda a trama de Margaret Beaufort no quarto episódio é ficção. Como abordado aqui e aqui, os bens de Jasper Tudor foram confiscados depois da Batalha de Townton, em 1461, não em 1470.

A custódia de Henry Tudor (na época com quatro anos) passou para William Herbert assim que Edward IV assumiu o trono. Sir William foi declarado 1° Conde de Pembroke e obteve o controle do Castelo de Pembroke e outras propriedades e terras que pertenciam a Jasper Tudor, declarado traidor pelo rei.

Edward nunca puniu Margaret diretamente, a guarda de Henry pertencia a Jasper e o tio dele era considerado traidor, não a mãe. Os historiadores acreditam que Margaret aceitou a situação e ficou feliz por não ter sido pior. Ela era capaz de visitar o filho quando quisesse e não parece ter tido um relacionamento ruim com Sir William. Enquanto Henry permanecia sob a custódia de um York, Jasper permaneceu exilado na França e no País de Gales. 

William Herbert lutou a favor de Edward IV contra Warwick e Clarence na Batalha de Edgecote Moor em 1469, época em que Richard Neville ainda tentava tornar George rei, não Henry VI. Sir William e o irmão dele, Richard, foram acusados pelo conde de Warwick de serem um dos maus conselheiros do rei, favoráveis aos Woodville. Ambos foram executados.

Henry VII não teve qualquer ligação com a Batalha de Edgecote Moor e não foi salvo por ser um Lancaster. Mas como dito na série, Sir William Herbert tinha filhos que foram criados ao lado de Henry Tudor. Um deles, Richard Herbert de Ewyas, era um amigo próximo de Henry e lutou ao lado dele na Batalha de Bosworth em 22 de agosto de 1485.

No entanto, uma das afirmações de Margaret durante o episódio pode ser verdadeira. Enquanto questionava sobre as injustiças que sofria e se os filhos pagavam pelos pecados dos pais, ela diz que o pai dela, John Beauford, 1° Duque de Sommerset, cometeu suicídio. Margaret tinha apenas meses de vida quando o pai faleceu.

Margaret Beaufort: Meu pai achou que podia brincar de Deus e se matou

John era soldado e comandante militar, descendente de John de Gaunt (filho bastardo de Edward III).  Ele foi capturado pelos franceses na Batalha de Baugé, permanecendo prisioneiro na França por 17 anos.

John Beaufort retornou para a Inglaterra aos 35 anos, onde recebeu diversas honrarias, títulos, dinheiro e foi enviado como comandante militar na França para ajudar Richard, duque e York. John era um comandante inexperiente, desembarcou meses atrasado e, em vez de marchar para a Normandia ou Aquitânia, marchou para o sul através da fortaleza francesa em Anjou.

Por algum motivo desconhecido, ele se instalou em Guerche e ordenou um cerco, mas Guerche era aliada da Inglaterra.  Em uma atitude rápida, Guerche ofereceu ouro para que John parasse e ele aceitou. Richard de York não tinha ideia do que estava acontecendo.

O governo inglês, sem saber qual seria o plano John e a razão pela qual atacou um aliado, deixou Beaufort sofrer uma humilhante queda de reputação. Meses depois de retornar a Inglaterra, ele estava morto.

Os rumores suicídio logo se espalharam. A família Beaufort afirmou que John estava doente desde as últimas semanas que passou na França, mas alguns historiadores acreditam que a doença era apenas uma forma da família encobrir um ato considerado como pecado mortal, especialmente no século XV.

Jacquetta Woodville foi julgada por bruxaria

Jacquetta Woodville (Janet McTeer) em uma imagem da cena do julgamento da duquesa de Bedford no quarto   episódio de The White Queen (BBC One/Starz).
Jacquetta Woodville (Janet McTeer) em uma still da cena do julgamento da duquesa de Bedford no quarto  episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Fato, mas foi meses antes do retratado na série

Após a morte de Richard e John Woodville, um dos seguidores do conde de Warwick, Thomas Wake, produziu algumas imagens e bonecos e alegou que Jacquetta havia usado os objetos para fins de bruxaria e feitiçaria. Apesar do choque pela morte do marido e do filho, a duquesa de Bedford se recusou a ser intimidada pelas acusações e escreveu ao prefeito e aos vereadores de Londres pedindo assistência, que eles concederam.

Porém, as intervenções adicionais se tornaram desnecessárias quando Edward IV foi libertado por Richard Neville e o rei libertou a sogra das acusações. Jacquetta insistiu para que absolvição formal do conselho (incluindo Warwick), contasse no registro oficial.  O documento está disponível no livro Calendar of Patent Rolls, 1467-1477:

“21 de fevereiro (1470).

Exemplificação, por súplica de Jaquetta, duquesa de Bedford, esposa do falecido Richard, conde de Rivers, do prazo de um ato no grande conselho, permanecendo no ofício do selo privado na câmara do grande conselho chamado ‘le Parlment chambre’ dentro do palácio de Westminster, realizado em 10 de fevereiro na presença do rei Edward IV, do cardeal arcebispo de Canterbury, o arcebispo de York, os bispos de Bath, o chanceler, Ely, tesoureiro, Rochester, detentor do selo privado, Londres, Durham e Carlisle, os condes de Warwick, Essex, Northumberland, Shrewsbury e Kent, e os senhores Hastinges, Mountjoye, Lyle, Cromwell, Scrope de Bollón, Saye e outros, uma súplica endereçada ao rei em nome da referida duquesa. Duas listas em papel anexadas foram lidas abertamente, e depois, Sua Alteza, mediante o conselho dos ditos senhores do conselho, aceitando a declaração da dita dama, ordenaram que o mesmo fosse decretado em registros e cartas de exemplo a serem feitas. Os tenores da súplica e listas mencionados acima seguem dessa maneira.

A duquesa alega que Thomas Wake, escudeiro, fez com que ela fosse difamada e acusada de bruxaria por grande parte do reino, na medida em que ele levou a Warwick e outros senhores presentes, uma imagem de chumbo de um homem de armas, com o comprimento do dedo de um homem quebrado no meio e envolvido com um arame, dizendo que foi feito por ela para usar com bruxaria e feitiçaria.  Para a realização de sua intenção maliciosa, ele (Thomas Wake) implorou a John Daunger, secretário paroquial de Stoke Brewerneco em Northampton, que dissesse que haviam duas outras imagens feitas por ela, uma para o rei e outra para a rainha. O rei ordenou que Wake e John Daunger, o bispo de Carlisle, o conde de Northumberland, os senhores Hastynges e Mountjoye e o mestre Roger Radcliff fossem examinados, e seus exames estão aqui anexados, e no grande conselho de 19 de janeiro passado, ela foi liberada da referida difamação”. […]

Algumas fontes sugerem que Jacquetta (como na série), pediu a interferência de Margaret de Anjou, ou que a convocou como testemunha. Algo que não seria possível, pois Margaret ainda estava exiliada na França. Todavia, o discurso da duquesa de Bedford condiz com a realidade:

Jacquetta Woodville: Eu levei Margaret à Inglaterra para se casar quando ela tinha apenas 15 anos. Levei-a de traje real na sua coroação. Eu estava ao lado dela quando ela deu à luz o filho. Eu era a melhor amiga dela. Se alguma coisa me acontecer, será a sua cabeça que ela vai pendurar no muro da cidade. Posso prometer-lhe isso.

Margaret e Jacquetta eram muito próximas quando a mãe de Elizabeth Woodville servia como dama de companhia da rainha consorte de Henry VI.  Jacquetta esteve presente nos principais momentos da vida da amiga, mas não se sabe as duas mantiveram contato após os Woodville amigavelmente deixaram a corte. Acredita-se que é possível.

Henry VI voltou a ser rei graças a Warwick

Imagem do momento em que  Richard Neville (James Frain)  coroa Henry VI  (David Shelley) no quarto episódio de The White Queen (BBC One/Starz).
Imagem do momento em que Richard Neville (James Frain)  coroa Henry VI (David Shelley) no quarto episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Fato

A sucessão dos eventos é bem parecida com o que Thomas e Richard Gray explicam para a rainha Elizabeth Woodville em The White Queen.

Em setembro de 1470, Warwick encenou uma nova revolta no norte (como as duas anteriores), mas desembarcou na costa de Devolshire e Plymouth com o duque de Clarence e um pequeno e rápido exército que marchou para o norte.

Richard Neville conseguiu convencer inúmeros nobres importantes a se juntarem a causa, formando um exército de dezenas de milhares de soldados. Quando John Neville, irmão de Warwick, mudou de lado, tudo parecia perdido para o rei.

Edward IV estava em Doncaster quando foi acordado no meio da noite para ser informado que as tropas inimigas estavam a apenas uma milha de distância. As tropas de Edward estavam em menor número e completamente despreparadas. Ele poderia ficar, lutar e provavelmente ser morto, ou poderia fugir.

O rei escolheu a segunda opção e se refugiou em Flanders, na Borgonha, acompanhado do irmão mais novo, Richard de Gloucester, do cunhado Anthony Woodville e de Sir William Hastings, além de centenas de homens.

Em outubro, depois de anos em cativeiro, Henry VI foi libertado da Torre de Londres por Warwick e George Clarence e declarado rei novamente. Henry sempre foi um desastre como rei e nada havia mudado, mas ele era a única carta que Richard Neville ainda tinha na manga. Então, pela segunda vez em sua vida, Henry VI era rei da Inglaterra e a corte pertencia novamente aos Lancasters.

O Príncipe Edward nasceu na Abadia de Westminster

Foto da cena do nascimento do Príncipe Edward no quarto  episódio de The White Queen (BBC One/Starz).
Still da cena do nascimento do Príncipe Edward no quarto episódio de The White Queen (BBC One/Starz).

Fato

Elizabeth Woodville buscou asilo no santuário na Abadia de Westminster assim que descobriu que Edward IV foi forçado a fugir. Ela estava grávida e a poucas semanas de dar a luz.

O Príncipe Edward, herdeiro do trono, nasceu em Cheyneygates, na Abadia de Westminster, em dois de novembro de 1470. Assim como na série, a rainha teve a ajuda da mãe, Jacquetta Woodville, durante o parto.

Elizabeth, as três princesas e o príncipe recém-nascido permaneceram a Abadia até que Edward IV retornasse ao poder meses mais tarde.

REFERÊNCIAS

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BROWN, Rebecca. The Case Against George, Duke of Clarence. Disponível em: https://rebeccastarrbrown.com/2017/02/18/the-case-against-george-duke-of-clarence/. Acesso em: 7 jul. 2020.

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