(Se você preferir, pode encontrar um infográfico com pequeno resumo sobre o assunto aqui.)

A Guerra das Rosas foi uma grande disputa pelo trono da Inglaterra entre as casas de Lancaster (rosa vermelha) e York (rosa branca). A Guerra começou durante reinado de Henry VI da família Lancaster. O reinado de Henry era fraco, ele sofria de diversos problemas mentais e perdeu quase todas as terras conquistas na França pelo pai, Henry V (herói de guerra e um rei muito respeitado na história inglesa).

Richard, duque de York (neto de Edward III e pai de Edward IV) liderava um grupo cada vez maior de nobres que se opunham fortemente a Henry e acusava o rei de traição. Richard era o mais próximo do trono pois Henry ainda não tinha filhos e os próximos na linha de sucessão Lancaster eram os primos distantes Beaufort.

Em 1953, a causa do duque de York pareia perdida. A rainha Margaret de Anjou estava grávida, o rei teria um herdeiro e Edmund Tudor (meio irmão do rei) havia acabado de se casar com Margaret Beaufort. A linha de sucessão estaria segura para os Lancasters.

Samuel West (como Bishop de Winchester), Tom Sturridge (como Henry VI), Sophie Okonedo (como Margaret de Anjou) e Hugh Bonneville (somo Gloucester) em uma foto promocional da série  The Hollow Crown: A Guerra das Rosas.  Foto por Robert Viglasky via PBS
Samuel West (como Bishop de Winchester), Tom Sturridge (como Henry VI), Sophie Okonedo (como Margaret de Anjou) e Hugh Bonneville (somo Gloucester) em uma foto promocional da série The Hollow Crown: A Guerra das Rosas, BBC 2. Foto por Robert Viglasky (via PBS)

Tudo mudou em agosto de 1953, quando o rei sofreu um devastador colapso mental possivelmente causado pela derrota na Batalha de Castillon (que expulsou as forças inglesas na França). No momento em que recebeu a notícia, Henry ficou imediatamente catatônico e teve que ser conduzido para fora da sala.  O rei passou meses incapacitado sem ao menos reconhecer o próprio filho.

Em outubro, um Magnum Concillium (Grande Conselho) foi convocado e o duque de York participou sob forte oposição de Edmund Beaufort, duque de Somerset. Em 1954, o cardeal John Kemp, o chanceler que estava governando em nome do rei, faleceu e Henry foi incapaz de nomear um sucessor. Richard de York se tornou o Lorde Protetor do reino e nomeou Richard Neville, conde de Salisbury, como Chief Councillor (Conselheiro Principal).

A escolha foi significativa e determinante para a Guerra das Rosas. No ano anterior, Henry VI e o duque de Somerset foram simpáticos a causa dos Percy em uma longa disputa entre as famílias nobres e importantes do norte da Inglaterra, Percy e Neville, o que jogou o apoio dos Neville para os York. Richard de York era cunhado de Richard Neville. Os Yorks tinham, pela primeira vez, uma posição importante no governo e o apoio de uma das famílias mais poderosas do país.

Quando Henry VI recuperou a consciência em janeiro de 1455, libertou o duque de Somerset que havia sido aprisionado na Torre de Londres, tirou o duque de York do cargo de Lorde Protetor e o conde de Salisbury renunciou ao cargo de chanceler.

Richard de York, Richard Neville, conde de Salisbury e o filho mais velho de Salisbury, Richard Neville, conde de Warwick, estavam ameaçados quando Grande Conselho foi convocado em Leicester, longe de dos York e dos Neville. Eles temiam que o duque de Somerset levaria acusações contra eles e reuniram uma comitiva armada para impedir a rota para o Grande Conselho.

A estratégia deu certo, o exército York pegou os Lancasters quase de surpresa com uma tropa de 7000 soldados contra 2000 de Henry VI. A batalha ficou conhecida como Batalha de St Albans e, apesar de pequena, foi significativa e marcou oficialmente o início da Guerra das Rosas.

A batalha foi devastadora para o rei. Embora apenas cerca de 50 homens tivessem sido mortos, entre eles estavam grandes aliados, como o duque de Somerset, Henry Percy, 2° Conde de Northumberland e Thomas Clifford, 8° Barão de Clifford. York e Nevilles conseguiram matar os inimigos e capturaram Henry VI.

De volta a Londres em 25 de maio com o rei sob custódia, Richard York se declarou Lord High Constable (um dos Grandes Oficiais de Estado) e nomeou Warwick capitão de Calais (a última terra da França que a Inglaterra ainda possuía). A posição do duque de York foi ainda mais elevada quando parte da nobreza aliada se juntou ao governo.

Com o rei prisioneiro, os nobres influenciavam o governo e convenciam Henry a aceitar conceder cargos e posições politicas. Em junho, Richard York foi enviado para defender as fronteiras do norte de uma invasão do rei James II da Escócia e depois para ser tenente na Irlanda e Henry VI passou a ser controlado pela rainha, Margaret de Anjou.

 Tom Sturridge (como Henry VI) e Sophie Okonedo (como Margaret de Anjou) em uma foto promocional da série  The Hollow Crown: A Guerra das Rosas, BBC 2.
Tom Sturridge (como Henry VI) e Sophie Okonedo (como Margaret de Anjou) em uma foto promocional da série The Hollow Crown: A Guerra das Rosas, BBC 2.

Nos anos seguintes, o duque de York permaneceu longe, mas exercendo certa influência, que foi se tornando cada vez menor enquanto os poderes de Margaret de Anjou cresciam. Ela considerou o duque suspeito de ameaçar a sucessão do Príncipe de Gales, de negociar uma aliança inimiga com os Borgonha por meio do casamento do filho mais velho dele Edward (futuro Edward IV) e contribuir para a perturbação do reino na disputa entre os Percy e os Neville.

Os Nevilles também perderam espaço quando Robert Neville, bispo de Durham, morreu em 1957 e foi substituído por Laurence Booth, aliado de confiança da rainha. Os Percys voltaram as graças na corte e a vencer na luta pela fronteira da Escócia.

Em junho de 1459, um Grande Conselho foi convocado em Coventry. York, Nevilles e outros nobres temiam ser presos e se recusaram a comparecer. Eles convocaram suas tropas enquanto um novo conselho foi marcado para novembro sem os Yorks e os Nevilles, o que significava que eles seriam acusados de traição.

Os exércitos York foram derrotados por todo o país e começaram a fugir. Richard, duque de York, foi para Irlanda. Warwick, Salisbury e o filho de Richard de York, Edward, foram para Calais. Cecily Neville, esposa do duque de York, e os dois filhos mais novos ainda crianças, George e Richard, foram capturados no castlo de Ludlow e presos em Coventry.  

O Parlamento da Irlanda apoiou Richard de York e ofereceu apoio militar e financeiro. O controle de Warwick em Calais resultou em uma forte propaganda dos York no do sul da Inglaterra por meio do Canal da Mancha.

Em dezembro de 1959, os Neville e os York sofreram um attainder (tiveram as terras e todo o dinheiro confiscados pela Coroa pela justificativa de crime grave contra o rei). Diante daquela situação, somente uma invasão bem sucedida restauraria tudo para as famílias.

Os Yorks decidiram atacar pelo norte e, em 26 de junho, venceram a Batalha de Northhampton (contando com a mudança de lado de algumas tropas do rei) e capturaram Henry VI novamente. Enquanto a batalha e a vitória aconteciam, o duque de York permaneceu na Irlanda e voltou a Londres apenas em nove de setembro.

Richard de York reivindicou a Coroa, mas não obteve apoio efetivo. Após semanas de negociação, ele conseguiu um Ato de Acordo, que previa que Richard e os herdeiros dele eram os sucessores de Henry VI. O duque de York se tornou Príncipe de Gales e Lorde Protetor em 31 de outubro. York e Warwick eram os governantes da Inglaterra.

Adrian Dunbar (como Richard de York) e Stanley Townsend (como Richard Neville, conde de Warwick) em uma still da série The Hollow Crown: A Guerra das Rosas, BBC 2 (via Pinterest).
Adrian Dunbar (como Richard de York) e Stanley Townsend (como Richard Neville, conde de Warwick) em uma still da série The Hollow Crown: A Guerra das Rosas, BBC 2 (via Pinterest).

Mas Margaret de Anjou queria o trono para o filho dela e de Henry VI, o Príncipe Edward. Os Lancaster se uniram, organizaram um levante no norte da Inglaterra e pediram o apoio de James III da Escócia. Richard de York e o filho Edmund, conde de Ruthland foram para o norte em dois de dezembro e chegaram ao Sandal Castle em 21 de dezembro.

As tropas Lancaster eram comandadas por antigos inimigos dos York, como Henry Beaufort, duque de Somerset, Henry Percy, conde de Northumberland e John Clifford (os três haviam perdido os pais na Batalha de St Albans), além de vários outros nobres do norte. O duque de York pediu a ajuda do filho Edward, mas não esperou que o reforço chegasse e partiu do castelo.

Os Lancaster destruíram o exército York na Batalha de Wakefield em 30 de dezembro de 1460. Não existe uma fonte confiável sobre como exatamente a batalha aconteceu, o número de mortos, ou o tamanho dos dois exércitos. Acredita-se que Richard tenha subestimado a força Lancaster ou que algumas tropas York mudaram de lado.

O duque de York foi morto ao longo do confronto, ou capturado e morto depois. O filho dele, Edmund, tentou escapar pela Wakefield Bridge, mas foi capturado e assassinado. Sir Thomas Neville (irmão de Warwick e filho de Salisbury) e muitos outros aliados importantes de York também foram mortos durante ou após a batalha. Stalisbury foi decapitado por plebeus locais.

As cabeças de Richard de York, do filho Edmund e de Richard Neville, conde Stalisbury, foram exibidas em espetos nas muralhas da cidade de York. O duque de York usava uma coroa de papel feita como zombaria pelos Lancaster.

O filho mais velho de Richard, Edward, na época com apenas 18 anos, recebeu imediatamente o título de Duque de York e o direito de reivindicar o trono.  A brutalidade da Batalha de Wakefield fortaleceu os York e a popularidade de Edward crescia cada vez mais. A comparação entre um jovem e forte Edward com um fraco Henry VI chamava atenção.

Em janeiro, Edward pretendia para Londres, mas mudou os planos ao saber que as tropas de Owen Tudor (segundo marido de Catherine de Valois, mãe de Henry VI) e Jasper Tudor, conde de Prembroke (meio irmão de Henry). Os Tudor eram uma das famílias mais influentes do sul de Gales e pretendiam encontrar as forças Lancaster que se aproximavam de Londres.

O novo duque de York marchou com o exército York de quase cinco mil homens para Mortimer’s Cross, próxima a fronteira com o país de Gales. Ao amanhecer do dia dois de fevereiro, um fenômeno incomum aconteceu, o parélio, em que era possível ver três sóis nascendo.  Mais tarde, quando se tornou rei, ele escolheu como lema: O Sol no Esplendor.

Max Irons (como Edward IV) em uma still da série The White Queen do canal Starz em parceria com a BBC (via BBC)
Max Irons (como Edward IV) em uma still da série The White Queen do canal Starz em parceria com a BBC (via BBC)

Os Lancaster iniciaram o ataque e Owen Tudor tentou um cercar os York pelo lado esquerdo, mas a estratégia não funcionou. Logo o cerco quebrou e o avanço de Jasper Tudor pelo centro também não foi suficiente. Alguns homens de Owen Tudor foram seguidos e Owen foi capturado e decapitado. 

O exército do Conde de Warwick forçado a enfrentar o exército de Margaret de Anjou sozinho em 22 de fevereiro na segunda Batalha de St Albons. Warwick estabeleceu as tropas em St Albans para bloquear a entrada principal para o norte. Mas Margaret atacou Warwick por trás e venceu a batalha.

Em março, Edward finalmente encontrou Warwick e eles avançaram rumo a Londres e ficou claro que Edward queria a Coroa.  Thomas Kemp, bispo de Londres, perguntou o que o povo queria e a multidão gritou: “Rei Edward”. Warwick promovia uma enorme propaganda sob a justificativa que os Lancaster haviam ignorado o Ato Parlamentar de Sucessão e que os York poderiam denunciar Henry e proclamar Edward rei.

Naquele momento, a Inglaterra tinha dois reis. Edward prometia perdão qualquer plebeu que renunciasse Henry e convocava todos seus aliados para partir em direção a York e recuperar a cidade da família dele e várias tropas de nobres e plebeus se juntaram a ele.

O exército Lancaster tentou impedir a chegada dos York a cidade de York e o confronto ocorreu entre vilas de Saxton (ao sul) e Townton (ao norte). A Batalha de Towton aconteceu em um nevoso domingo de ramos no dia 29 de março de 1461. Estima-se que cerca de 50.000 soldados participaram de uma das maiores batalhas da história inglesa, possivelmente a maior.

O Duque de Somerset esperava atrair o exército York e tirar vantagem das colinas e pântanos que poderiam servir para esconder as tropas, mas o vento forte estava a favor dos York, que atiravam flechas com mais potência e precisão que o habitual e não recebiam uma resposta eficaz dos Lancaster, que não podiam atirar muito longe contra o vento.

Em um primeiro momento, os York pegaram as flechas Lancasters do chão e atiraram, mas depois usaram como escudo pelo meio para que os oponentes  não forçassem um combate corpo a corpo. A força de Henry VI atacou pelos lados e deu início a uma longa batalha que estava muito indecisa, embora os Lancaster tivessem em maior número. 

Uma enorme vantagem foi estabelecida quando O exército de Norfolk chegou e atacou os Lancaster pelo lado esquerdo. No final do combate que durou várias horas, o exército de Henry VI se dissipou e muitos homens foram perseguidos e mortos pelas tropas de Norfolk. Outros tentaram fugir pelo rio e morreram afogados, ou morreram após a ruptura de uma ponte.

É impossível determinar o número de vítimas, mas a batalha foi devastadora para os Lancaster. Henry VI, Margaret de Anjou, o Príncipe Edward, Somerset e outros nobres fugiram para a Escócia e para outros países.

A maioria do povo inglês recebeu muito bem o novo rei, mas a nobreza estava divida e Edward confiou inteiramente em Richard Neville, conde de Warwick, como suporte. Edward IV foi coroado na Abadia de Westminster em 28 de junho de 1461.

A série de artigos especiais sobre The White Queen aborda os principais momentos de cada um dos dez episódios e esclarece se foram reais, fictícios ou baseados em rumores.

Episódio 1:  Apaixonada pelo Rei

Episódio 2: O Preço do Poder

Episódio 3: A Tempestade

Episódio 4: A Rainha Má

Episódio 5: A Guerra na Própria Pele

Episódio 6: Amor e Morte

Episódio 7: Veneno e Vinho

Episódio 8: Vida Longa ao Rei

Episódio 9: Os Príncipes na Torre

Episódio 10: A Batalha Final

REFERÊNCIAS

BBC DOCUMENTARY. The Death Of Kings – Episode 3 | Plantagenets | BBC Documentary. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xNS6XpLhX2c. Acesso em: 8 jun. 2020.

CORBET, Dr. Anthony. Edward IV, England’s Forgotten Warrior King (ebook): His Life, His People, and His Legacy. 1. ed. [S.l.]: iUniverse, 2015.

POLLARD, A.j.. The Wars of the Roses (ebook): (British History in Perspective) . 2. ed. [S.l.]: Palgrave Macmillan, 2000.

ROSS, Charles. Edward IV (ebook): Yale English monarchs . 1. ed. [S.l.]: Yale University Press, 1997.

TIMELINE. Britain’s Bloody Crown: The Mad King Ep 1 of 4 (Wars of the Roses Documentary). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=SB_OThWd-eA. Acesso em: 8 jun. 2020.

Informações adicionais: History Files, History Extra, The History of England, BBC History, History England.